REPARAÇÃO AOS EX-ESCRAVOS PRECISA SER DISCUTIDA

O artigo anexo abaixo foi escrito há mais de 120 anos; pode ser encontrado em Brasília, no arquivo do senado federal; foi publicado no Jornal do Senado do Império no dia 14 de maio de 1888, um dia após a assinatura da Lei Áurea. É necessário ressaltar a notoriedade do seu atualíssimo contexto.

A criação de TRABALHO para os libertos é uma preocupação. Os negros mantiveram tradições do continente africano, como jogo da capoeira. Não faltaram discursos de abolicionistas como Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, Luiz Gama e Rui Barbosa defendendo a oportunidade de oferecer oportunidades para integrar os ex-escravizados à sociedade.

A grande dívida com os escravizados libertos deve ser saldada para que se possa construir uma sociedade justa e igualitária. Nesse momento em que o Brasil comemora a assinatura da Lei Áurea, alguns abolicionistas colocam em foco a preocupação diante do quadro nebuloso que envolve as consequências de um processo que era inevitável diante de séculos de domínio sobre as populações negras e que não foram contempladas com nenhum tipo de compensação.

Em razão disso, é lícito prever que a pauta de debates do parlamento, neste final de século 19, deverá incluir propostas visando contemplar, de alguma forma, os ex-escravizados e seus Descendentes, é possível até que essa discussão não tenha fim na próxima década e termine se estendendo pelo século 20, mas desse-se ter em vista que a REPARAÇÃO que precisa ser atribuída aos ex-escravizados e sua gente, não se confunde com qualquer tipo de vida por representar, isto sim, um legítimo direito. Ao longo da luta pela abolição foram discutidas propostas nesse sentido, a desapropriação de terras não exploradas e o desenvolvimento agrícola. É mister que se estudem ainda outras formas e acesso à educação conferindo a dignidade ao indivíduo.

14 de maio de 1888


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