Um Pequeno Tour pela Pequena África Carioca


Quem estiver com boa disposição para uma incrível caminhada repleta de histórias e conhecimentos, é só vir nos fazer companhia pelas ruas da Pequena África, nosso Território Histórico no Rio de Janeiro; que em breve, será transformado no Memorial Vivo da Diáspora Africana no Brasil.

Nossa Aventura se inicia no largo de Santa Rita, local aonde havia um pelourinho, mas antes disso, era um cemitério de pretos escravizados insepultos, já que os mesmos eram jogados a flor da terra, sem necessariamente serem sepultados. Também havia uma bica neste mesmo local, durante um período em que os escravizados iam buscar a água que abasteciam a sede e o sedentarismo da supremacia escravagista. 

Em frente a este largo, está hoje a rua conhecida como Beco da sardinha, obviamente devido aos vários bares que costuma servir esse delicioso petisco, lugar de onde também se pode ver a prisão do Aljube, hoje, rua Major Daimom. Esta rua dá acesso ao Morro da Conceição, que abriga a igreja da N. S. Conceição, além do Serviço Geográfico do Ministério da guerra, no alto do morro, está também o monumento em homenagem a N. S. da Conceição, uma escultura rodeada por plantas que fazem parte da história religiosa da negritude; sem falar na rua jogo de bola e da casa onde João Cândido planejou abalar a arrogante República escravocrata tupiniquim. Foi nas ruas desse mesmo morro, pavimentadas com pedras pé-de-moleque, que se originaram os botequins e a bocha.

Ainda lá de cima, podemos avistar o Armazém projetado pelo honrado engenheiro abolicionista André Rebouças, além de também avistarmos a Pedra do Sal, espaço geográfico aonde se originou o formato atual dos desfiles das escolas de samba, sem esquecer dos negros trabalhadores da Estiva ou dos Mercados de escravos ou casas de engorda. Olhando ainda lá de cima, através dos jardins suspenso do Valongo, avistamos a rua de onde se originou o Candomblé, e as ruas por onde passaram acorrentados os escravizados malês, sendo deportados do Brasil, após a revolta em 1838, aqui no Rio de Janeiro.

Após descermos pelo Jardins suspensos do Valongo, nossos passos seguem pelo chão do Cais aonde nossos antepassados pisaram ao chegarem sequestrados, em consequência do crime legalizado pelo santo Papa, seguindo até a Praça da Harmonia, local aonde somente um capoeirista carioca mobilizou todas as forças militares de todo o Brasil para enfrentá-lo; para finalmente, concluir nosso Tour, nas dependências do Instituto Pretos Novos. Esse passeio em prol da saúde mental coletiva, será também um bálsamo profilático na Memória do Brasil que se cura da amnésia sociocultural, introjetado pela educação colonial jesuítica de outrora.
A hora é essa; vem, para desfiar esse novelo da história, porque a nossa realidade não é virtual... !!!






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