Sobre o Movimento Negro Unificado do Rio de Janeiro e o Movimento de Reparação aos Descendentes de Escravizados no Brasil

 Após longa data, e inúmeras tentativas, onde o Movimento de Reparação no Brasil vem tentando se articular e confabulando junto ao MNU, ao inquirir a sua postura, assunção e responsabilidade daquilo que foi objeto de apreciação no congresso do próprio MNU: Estamos falamos do processo de Reparação Histórica como uma resposta definitiva ao Crime Transatlântico do Tráfico Negreiro e ao Crime da Escravidão Contra os Povos Negros no Brasil e seus Descendentes. Crime esse que o Estado Brasileiro foi levado a reconhecer em 2001, durante a Conferência de Durban, mas que, infelizmente, ainda não teve a dignidade de assumir perante seu próprio Povo.

A princípio, esperávamos que fossem desfeitos os equivocados conceitos veiculados pelo senso comum a respeito do que venha a ser a Reparação Histórica, e sua primordial diferença com o que se define como políticas de Ações Afirmativas; fatos estes que foram exaustivamente explicitados, analisados e pesados, a fim de que, finalmente pudéssemos avançar na luta, vencendo essa dicotomia que tem paralisado nossas ações relativas a essa ação que se iniciou no ano de 1993 e que se arrasta até os dias de hoje. Mas, lamentavelmente, nesse processo, o MNU/RJ se revelou como um hábil agente sabotador em relação aos procedimentos viabilizadores da Reparação aos Descendentes dos Escravizados no Brasil.

Como de Professor negro e não como palestrante e integrante do Movimento de Reparação Negra no Brasil, presente aos seminários; que foram oito no total; expus o meu olhar também na qualidade de jornalista negro e cidadão de cor.  Nessas diversas ocasiões, pude constatar e reconfirmar o que já sabia ao longo de todo esse processo: que novamente os paladinos das políticas de Ações Afirmativas não apresentariam absolutamente nenhuma tática ou estratégia, a fim de possibilitar a construção do Projeto Político do Povo Negro para a Nação brasileira; já que este foi o intuito de todos os Seminários realizados até então.

Infelizmente, o que vimos outra vez, foi aquela velha e elaborada técnica de parlatório sindical sendo usada para construir aquele já tão manjado e requintado labirinto de discursos retóricos, que confundem os neófitos, deixando os ouvintes circulando em volta da questão suscitada, como um cão circulando em torno de si mesmo atrás do rabo; técnica esta que foi bastante usada para tentar demostrar seu inexistente domínio sobre o assunto, demostrando sua pseudo inteligência em relação ao tema abordado.

Foi assim no último encontro entre o MNU/RJ e o Movimento da Campanha de Reparação, na sede do Agbara Dudu, em Osvaldo Cruz, no dia 07 de abril, onde realizamos um encontro com os estudantes negros da UNE: União Nacional dos Estudantes; que organizaram o 6º ENUNE; Encontro Nacional de Estudantes Negros da UNIÃO Nacional dos Estudantes, na Universidade Federal Fluminense, sediada na cidade de Niterói; encontro que acontecerá no final do corrente mês de abril.

Nessa reunião, com os mesmos estudantes, após a longa exposição e aguerrida defesa do MNU relativas as Ações Afirmativas; como de costume, trouxemos o Conceito e comentários sobre o Projeto de Reparação, apontando as diferenças basilares entre os processos expostos. Ou seja, apontamos os contrastes, as causas e as consequências entre as Ações Afirmativas e a Reparação Histórica como uma possível tática e como estratégia de Ação a fim de possibilitar a construção de um efetivo Projeto de Nação.

Após nossa explanação, os dirigentes do MNU/RJ afirmaram que “o Movimento de Reparação no Brasil está cagando e andando para as Ações afirmativas” e que este mesmo Movimento “é um Movimento machista porque só fala em Povo e não fala em mulheres”.  

Felizmente, daquela roda de conversa formada por estudantes, levantou-se uma voz maviosa feminina de lucidez plena de uma estudante, que trouxe de volta a razão ao explicar o óbvio, falando sobre a discrepâncias dos conceitos em questão, e também, o silêncio de volta aos “rebatedores”, que, como de costume, se retiraram do círculo de conversa enquanto as respostas às suas indagações eram brilhantemente proferidas; essa técnica sindicalista e politiqueira já fora exaustivamente usada para que eles pudessem retornar sempre com as mesmas indagações nas reuniões seguintes e nas seguintes as seguintes, até que o processo pudesse ser finalmente minado pela insistência.

Mas, com já havia afirmado antes, no decorrer deste exaustivo processo; a palavra Reparação já ressoou como Tobal[5] pelos quatro cantos através de todos aqueles que aqui vieram somar; apesar de todas as tentativas de sabotagem para que ela, a palavra Reparação, fosse silenciada no Brasil.
 
Continuo afirmando que esse é um caminho sem volta; visto que acabamos de atingir mortalmente o tecido da hipocrisia, e a palavra “Reparação” ressoa, espalhando-se como uma música de libertação; essa é a nossa canção de redenção que ecoa até mesmo nos ouvidos moucos, se espalhando, sendo levada pelo vento sul, enquanto vai se alastrando como um grande incêndio na Casagrande num dia quente de verão.

Reparação já...!!


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