Entre a Consciência Negra e a Cultura Branca

Compreender a consciência como produto cultural, concebendo nosso inconsciente num estado colonizado, e nós, como seres cativos dessa neocolonização, é o primeiro passo para quebrar as correntes da distopia, e criar as condições adequadas a libertação dessa prisão sem grades na qual fomos confinados, e reduzidos a números estatísticos.

Este passo é dado no momento em que nos dispomos a sair da caixa de verdades e pós-verdades manufaturadas, para perceber outros pontos de vistas, situações e vivências que nos farão perceber as diferenças entre o bom senso e a tudo que venha a ser fake.

A escolha entre sair dessa caixa ou permanecer nela, é a mesma escolha entre ser um cidadão pleno ou permanecer na zona de conforto, na condição de mero consumidor. Ou seja, é o mesmo que escolher entre exercer o livro arbítrio ou ser refém do mercado infame coordenado pelo Estado nacional. Sendo assim, antes de tudo, é necessário perceber a caixa.

Tudo o que conhecemos dentro dessa caixa branca preparada pela ciência, pela religião e por todas as instituições cunhadas a partir da violência da colonização; não só dos territórios invadidos, mas também da colonização da própria história dos povos e da humanidade; é o que dá sentido a nossos pensamentos, gerando assim, as nossas emoções, fazendo com que a gente reaja de maneira previsível. Sendo assim, quem gera essas emoções também tem o controle sobre o emocionado. É notório perceber que o colonizador seleciona os heróis, enquanto o escravizado recebem os heróis.
Dessa forma, a colonização das mentes e corações, sendo um exercício de conhecimento público e notório, é também um processo paradoxal, porque é imperceptível para seu hospedeiro, já que ele se encontra imerso nessa caixa de verdade que dá sentido à sua existência e formata a sua zona de conforto. Nesse caso, a primeira reação do colonizado é a negação de sua condição.

Para sair dessa caixa seria necessário admitir e assumir essa condição, e isso implicaria em contrair culpas e vergonhas até que o reconhecimento diatópico venha trazer a Reparação necessária nesse cenário distópico. Até então, é a submissão que estará no controle, já que, até o momento, não ocorreu o exercício de aceitação de si mesmo, nessa condição de escravizado mental. Quando isso ocorrer, haverá o impacto que provocará o exercício de militância, no sentido da luta e denúncia de tal processo, para que em seguida haja a possibilidade efetiva do processo de articulação, que o fará finalmente, sair do lugar dessa servidão geracional. Dessa forma, enfim, a consciência negra se fará consciente de si.


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