Projeto Político de Nação do Povo Negro para o Brasil


A proposital invisibilização do Estado e da Nação promovida pela elite brasileira de pensamento escravocrata, decorre da sanha aguerrida com que ela mantém a monopolização desse mesmo Estado para si. Portanto, manter essa confusão entre governo e Estado, e Nação com sociedade, visa justamente a manutenção dessa ignorância como fator preponderante para que o cidadão brasileiro não busque o direito de justiça; direito devido pelo Estado e não pelo governo em si, fazendo com que o indivíduo ignorando o direito coletivo, passe a reagir juridicamente de maneira solitária e não solidária.

No caso brasileiro, aonde existem diversas etnias, com é o caso dos nisseis e dos judeus; e diversas outras nacionalidades, como a dos italianos, espanhóis, alemães, etc. que habitam nosso país além dos povos indígenas e do povo negro, observamos que os indígenas com seus idiomas e culturas, formam um povo, mas que não são considerados pelo Estado como povo e por isso mesmo, já que não possuem terras, sendo que a mesma lhes foram propositalmente retiradas pelo Estado uni-étnico que juridicamente os tutelam.

Como no caso indígena, podemos afirmar então que uma nação é formada por etnias que compartilham a mesma cultura, idioma e território, sendo que este último item, o território, dentro do direito coletivo, os mesmos teriam que ser juridicamente reconhecidos como Povo, e a exemplo das 11 etnias que compartilham o Estado na África do Sul, com suas culturas, idiomas e territórios, deveriam também os mesmos participarem do Estado. Lembrando que um Estado, no Estado brasileiro, ele é formado pelo poder judiciário, legislativo, executivo e pelas forças armadas, e dele depende todo o funcionamento da Nação.

Podemos citar o exemplo da Espanha, país aonde existem diversas etnias, como a etnia dos BascosCatalãesandaluzciganosetc. essas inúmeras etnias integram a Nação formadora do Estado; é de bom alvitre, para ilustrar como o Estado e formado por nações. Ou seja, todos são espanhóis, visto que a nacionalidade e conferida pelo Estado. Ou seja, o Estado surge do Povo que, por sua vez, é formado pelas nações. Podemos inferir nesse caso que, o Estado brasileiro veio da sociedade e não da nação.

Portando, um Estado como é o caso do Brasil, que não foi fundado pelas nações que nele habitam, mas sim, por um congresso constituinte convocado para tal, lavrando dessa forma, um Estado monorracial, longe de ser pluriétnico e pluriversal, e isto faz com que o Brasil siga o exemplo do Estado de Israel, que expulsa o povo de uma terra para poder ter um país para chamar de seu. Com uma população sem um território, os judeus não poderiam ser considerados como povo, já que não existe povo sem território.

Este é o caso do Povo negro e dos Povos indígenas que sobrevivem nas terras roubadas pelos europoides. Ou seja, aos mesmos povos não se aplicam o direito coletivo; justamente por esse motivo, não existe condenação para o crime de racismo, já que o mesmo crime só pode ser considerado como tal, quando for dirigido a um povo e nunca a um indivíduo; e por isso, esse mesmo crime é largamente tipificado como injúria racial, portanto, sem dolo para o praticante.

Podemos observar que, no Brasil, os únicos a terem sua nacionalidade conferida pelo Estado são os Negros, que foram convenientemente titulados como Afro-brasileiros; pois caso contrário, juridicamente seriam considerados como o único povo existente no Brasil, já que os indígenas foram praticamente eliminados, os eurodescendentes reconhecem as suas nacionalidades como tal, e a República não teve êxito em fazer da nação brasileira, uma nação branca, assim como previa seu meticuloso processo eugênico, contrariando as expectativas Darwinismo social.

Portando, este é o momento de nos reconhecermos como Povo, para finalmente poder fazer parte desse Estado que nos tem exilado em nossa própria casa, nos mantendo hora em liberdade condicional, hora em cárcere privado, atendendo a uma justiça que não contempla ao povo que construiu essa nação e aos que nela coabitam.

O Projeto de Nação do Povo Negro para o Brasil, exige primeiro negociar com o Estado todos os itens considerados como frutos do crime da escravização[1] de nossos antepassados, e que criaram toda as riquezas que hoje sustentam as famílias tradicionais brasileiras e seus eurodescendentes. Esta negociação trazida pelo processo de Reparação, dará início ao direito de justiça pelos crimes da história; crimes que até os dias de hoje permanecem impunes, uma vez amparados justamente pela distopia estruturada por essa conjuntura aonde esse Estado tem servido de brinquedo nas mãos de uma sociedade de pensamento escravista.

Esse Estado que intimida os povos alijados dessa mesma sociedade escravocrata, promovendo a limpeza étnica através do genocídio dos povos originários e autóctones que ainda restam nesse Brasil varonil, que manda os filhos da pátria para as margens da indignidade de forma vil.

Reparação já...!!




[1] Os países membros da ONU, com exceção de EUA e Israel, através da Conferência de Durban, em 2001, na África do Sul, organizada pela Organização das Nações Unidas; reconheceram o Estado como responsável pelos crimes de escravidão dos Povos Africanos ocorrida em seu solo; fato este que o Brazil esconde e silencia diante das resoluções emanadas desse tratado internacional firmado em Durban, mesmo estando de acordo com tais resoluções aprovadas, que tipificaram como crimes da história a Escravidão dos Povos Africanos, o Tráfico Negreiro Transatlântico e a Colonização em África e América Latina. Sendo tais crimes imprescritível e inafiançável, e que os mesmos deveriam ser Reparados pelo Estado em questão.

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