O sistema
que hoje governa o mundo, fez do discurso
a sua arma mais eficaz, para uma completa dominação e controle absoluto do
pseudo cidadão, já que essa homilia extremamente sedutora tem o objetivo de
convencer o indivíduo a se tornar um escravo voluntário e defender de forma
tenaz e aguerrida o seu escravizador de estimação.
Essa preleção
se tornou sacralizada a partir da narrativa proferida como divina, saída da
boca de uma serpente que gozava voluptuosamente o Paraíso criado por um homem
branco, barbudo, da terceira idade, seminu e europeu, que, após ser patenteado
por uma religião, passou a ser a imagem referência de mais Deus, entre os
inúmeros deuses existentes nas culturas ao redor do mundo.
A partir
desse processo de colonização mental, a história do Povo melanodérmico foi
interrompida, seus livros foram reescritos e toda a sua cultura ganhou uma
pretensiosa e perniciosa versão europoide. Esse processo fez com que a palavra liberdade ganhasse um novo sinônimo,
assim como toda a forma de compreender e de ler o mundo; já que a alfabetização
colonial eurocêntrica compôs e impôs um novo mantra; um mantra onde a liberdade transformou-se em estoicismo e corporatividade virou sinônimo de formação de quadrilha. Desde então, os Valores Civilizatórios
Africanos se perderam nas trilhas do capitalismo antropofágico europoide.
A Corporatividade,
assim como a Ancestralidade, Ludicidade, Religiosidade, o Princípio Vital,
Memória, Musicalidade, Corporeidade, Oralidade e Circularidade, que fazem parte
desses Valores Civilizatórios Africanos que atuam como sustentáculos da
filosofia Ubuntu, se enquadraram na linha de produção dos europoides, levando
seus praticantes tratar tais princípios como mais um produto no mercado do bem
viver. Tais preceitos que deveriam ser aplicados ao Ser como sujeito humano,
tem se resumido a uma corporatividade com requinte empresarial, uma vez que é dirigido
a um grupo classificado e especificado como escolhido e beneficiário.
Foi dessa
forma que a Cultura negra hoje se metamorfoseou em proxoneta entre a eugenia e
a gentrificação, ganhando lentes de contato azuis e lunetas europoides, numa
versão neo-greco-romana que chegou a turgescência no instante em que inoculou
seu Cavalo de Tróia nas entranhas da inconsciência negra. Dessa maneira, o negro
age de acordo com a visão e os princípios europoides arraigados em sua mente
colonizada, ao exibir em forma de certificados e diplomas o seu desempenho
robótico como boneco de ventríloquo, sem se dar conta que suas ações, assinadas
como carta branca pela caneta do doutor, são como os açoites do chicote do
feitor. Isso levou a uma parcela considerável de negros a acreditarem e defenderem
20% de cotas como condição de inserção de pretos nessa sociedade monorracial,
virando as costas para 80% de futuros descamisados e pés descalços,
desamparados e feridos pela justiça, classificando eufemisticamente esse ato como
conquista.
Esse estrago
feito pela educação eugênica tupiniquim entranhou no DNA melanodérmico, fazendo
com que o silêncio acerca desse assunto retumbe no campo de batalha acadêmico,
onde as mortes, a tortura, o genocídio e o racismo rende dividendos a seus
comentadores e comentaristas, visto que os mesmos ganham um salário
considerável para se portar como se estivessem narrando um espetáculo de
atrocidades promovidos diuturnamente pelo Estado nas arenas romanas contemporâneas.
Assistimos a
esse espetáculo das raças e dos
horrores, assimilando suas regras, leis, tratados e regimentos de mão única,
acreditando que as instituições, que são uni-étnica, são justas, e estão ali,
em prol do cidadão e da cidadania. O preto só não percebeu ainda que ele não foi
integrado a sociedade, e portanto, não participa desse estado de direito e de
justiça. Mas ele acredita no discurso, e luta tenazmente lado a lado com os fiéis
de Marx e seus derivados. Colonizado seus olhos e ouvidos, o discurso se repete
em sua boca, como o canto do papagaio maltês que dá voltas em torno de si, como
um cão correndo atrás do próprio rabo. Dessa maneira, ele fala com empolgada
autoridade sobre cotas e se furta de
falar sobre o processo de Reparação aos
Descendentes dos Povos Africanos Escravizados no brasil. Mas o discurso do “somos
todos humanos” tem a mesma força das Notícias
Falsas que estão levando o Brasil de volta a idade média e a inquisição
político-religiosa, fazendo muito mais vítimas que todas as guerras
contemporâneas.
Portanto, a
luta pela exclusão de 80% da população preta que ganhou a alcunha de Cotas que
irão privilegiar 20% dessa mesma população, beirando as raias da ingenuidade, dá
todo o sentido a esse belo discurso envernizado e adornado por gongorismos
acadêmicos, transmitido pelos meios de Comunicação e Informação patrocinado pelo
Grande Irmão que faz com que se ame
aquele que oprime e odeie aquele que é oprimido.
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