Sobre as Eleições no Brasil desde os Zumbis de Hollywood até aos Vorazes Devoradores de Certezas Tupiniquins
Nas passeatas, protestos e manifestações, observamos pessoas perdidas, com um
profundo olhar pragmático, falando desavergonhadamente com a boca cheia de
convicções e a mente abarrotada de dogmas, altivamente avançando resolutas pelo
caminho da certeza absoluta pavimentado pelo trator do empreiteiro, esse moderno
feitor que hoje usa a caneta de doutor para sangrar o ser humano, que se tornou
ilegal por meio da assinatura empresarial protocolada pelo avô desse mesmo empresário agora tornado um perfeito e eleito candidato a prefeito, com plenos poderes e direitos a representar
o povo diante do poder Estatal instituído como tal.
Para isso,
todos os dias, a mídia falada e escrita, enverniza o antolho dessa caixa de
certeza mantida pela TV que individualiza, cerceia e embrutece esse ser que é
rodeado por grades invisíveis, habilmente ornamentadas, meticulosamente coloridas
e perfeitamente impalpáveis e imperceptíveis, que delimitam os pensamentos
criadores das emoções seletivas que conduzem por esse caminho de mão única,
em meio a escuridão que entorpece os sentidos desse indivíduo que se fez cego por
escolha própria, ao optar pelo monólogo com o Grande Irmão.
Todas essas
certezas, tem residência fixa nas confortáveis gaiolas construídas pelas
imagens patológicas e esquizofrênicas, que representam, além da segurança de um
lar, também o seu eterno parque infantil de diversão, para que esse ser,
paradoxalmente se ache enquanto se perde de si mesmo em meio a esse mar de
certezas convictas, produzidas pelos autoelogios que mantém e retroalimentam a
sua existência.
Essas
certezas milagrosamente se materializam em forma de diplomas e certificados
acadêmicos, enquanto magicamente formatam e diminuem o indivíduo enquanto
sujeito, reduzindo-o a dados estatísticos, números e algoritmos que sustentam o google e o Lattes, retirando-o da comunidade humana, transmigrando o dito cujo
para uma pseudo comunidade científica. E dessa forma, esse doutor, com os antolhos do
conhecimento universal, se transforma num neófito da sabedoria comunal; com cátedra
comprovada nesse conhecimento que diminuí e oprime o outro, a partir do momento
que institucionaliza e sacraliza a classe do conhecimento como detentora do
saber universal e proprietária desse conhecimento compartimentado em caixas e
acondicionados como fast food expostos nas vitrines sociais, e
negociados como bulas ou buena dichas, instituindo uma realidade post adoc[1].
Dessa maneira,
a certeza do padre e do pastor, do político e do policial, são ditadas pelo
fator empresarial que confeccionam e colecionam normas, decretos, leis, códigos
de ética e de condutas, regimento interno e afins, a fim de blindar essa caixa
que delimitam e limitam o proceder e os destinos dessa boiada formada por esses
gados marcados conhecidos como cidadãos de bem, enquanto marginalizam os que saem
dessa normalidade banalizada pela elite mundial, que tem a absoluta certeza de
seu lugar na hierarquia universal, dentro dessa política do neo-apartheid racial e social como instituto de valores nacionalista, nessa cidade perversamente partida pela cor preta e pela cútis branca desde as capitanias hereditárias, por partidos brancos dizimadores do Partido
Bantu.
Reparação já...!!
[1] Refere-se
a uma realidade causal. Por exemplo: depois da tempestade vem a bonança, logo, para
que haja bonança uma tempestade se faz necessária.

Comentários
Postar um comentário