Sim, somos Negros
mesmo, somos da cor do cais, somos o imenso Continente traduzido como Pequena
África nesse Novo Mundo feito de mercadão nessa
Babilônia em questão, como Sansão aprisionado as colunas do Hall de um Shopping
Center dessa zona sul albina, num instável clima; traído e esquecido pelo lado
ancestral, numa troca desigual, de seu paraíso por um lugar transitório, como
aquele vistoso fruto envenenado pela serpente estatal brancopofágica atual.
De repente, fomos colocados no interior
da Arca de um Noé de Hollywood,
constando na bula papal como bicho raro, de tração animal, produtor de riquezas
em qualquer estação, do solstício de inverno ao solstício de verão; robotizados
com a tecnologia do chicote, antigo audiovisual feito ao vivo e em preto e
branco, realizado como culto dominical nas praças públicas, pela mão dos
empregados do antigo patrão, que hoje foi substituído por esse empresário sem
emoção, que só enxerga na planilha de produção, o objeto afetivo de sua razão.
Os desavisados, escravizados
contemporâneos de plantão, que Teme tremendamente o chicote
pelo fato de nunca ter conhecido a liberdade, se deixam chamar de
trabalhadores, se tornando adoradores de Marx, após o ritual
acadêmico que lhes tiraram o chicote com uma das mãos, e com a mão direta lhe
deram a Áurea caneta, para que pudesse fiscalizar o malungo
sem noção de liberdade e de humanidade.
E como
cidadão empoderado nesse Novo Mundo negro, quando ele passa em frente
ao pomposo prédio da associação dos empresários, erigido no coração da Pequena
África, após ter o próprio coração arrancado e patenteado o seu querer, os desejos e
emoção, ele suspira profundamente o ar de seu cativeiro higienizado e sem
paredes, para que ele não tenha o desejo de fugir, mas, sem ele perceber,
também não lhe permite entrar.
Foi assim que o Museu Vivo da
Diáspora deixou as ruas da Continental Pequena África para se
enquadrar nos limites das ínfimas e higienizadas paredes europoides; museu
este, formado por símbolos roubados e adulterados, como registro arrogante do
espólio do violento crime contra a humanidade que foi o infame tráfico de
Pessoas Negras, sua cruel escravização e o câncer da colonização que hoje os
europoides ostentam com orgulho, através da riqueza construída com demasiado
sangue, com esse suor que se transformou no sal da terra, e com a profunda
solidão humana desse ser vivente que se tornou ausente de si mesmo.
Eis o cenário escondido atrás dos
bastidores político nos subterrâneos estatal que o Estado, através de suas
prefeituras, tenta esconder, erigindo museus de escravidão e liberdade nos
sítios do Território da Pequena África, enquanto usam o VLT, Veículos Leve
sobre Trilhos, para atropelar os mais de 20.000 corpos de jovens
negros mortos quando aqui aportaram.

Comentários
Postar um comentário