A forma com
que hoje o mercado varejista faz uso da palavra “promoção” nos remete a
mesma zombaria e escárnio com que os capitães dos navios negreiros conversavam entre
si para se divertir em seus encontros nas tavernas adjacentes aos portos
escravistas de Lisboa a Liverpool, da mesma forma com que os europeus, de maneira
cínica e jocosa, batizavam os navios negreiros com nomes como “Liberdade”, “Boa Intenção”, “Caridade”, “brinquedo dos Meninos”, “Feliz
Destino”, “Graciosa Vingança”, “Feliz Dia aos Pobrezinhos”, etecetera e
tal. Expediente também usado pelos ingleses
norte-americanos, que batizam seus aviões e misses de destruição em massa com
os nomes das nações indígenas que eles exterminaram, para se apropriar do Novo
Mundo. Essa postura infame e naturalmente estúpida, passou a ser a conduta oficial
banalizada por uma branquitude que sempre destruiu, torturou e assassinou
categoricamente quem não fosse espelho.
Foi dessa maneira
que a branquitude adquiriu todas as riquezas e as transferiu a seus eurodescendentes;
eurodescendentes estes que, hoje negam qualquer responsabilidade na senda de
sangue e de atroz, de outrora e contemporânea, do sofrimento imposto ao outro,
mas que contraditoriamente, defendem com unhas e dentes o produto desse latrocínio
que foi esse lamentável crime da história: o tráfico negreiro, a escravização e
a colonização.
Do mesmo
modo que os capitães dos navios negreiros, também os capitães-do-mato de outrora
se divertiam, competindo com seus pares pelo prêmio de melhor torturador da
semana; fato notório este, se percebe nos capitães-do-mato dos dias atuais, que
tem destacado o policial militar por sua performance, com homenagens e tapinhas nas costas, àqueles que
mais matam crianças, adolescentes e homens negros no “desempenho da função”.
Essa
banalização da violência preconizada por quem a promoveu, sofreu e tornou a
exercê-la de forma monopolizadora; agora falo exatamente dos judeus
financiadores da escravização africana; lamentavelmente nos mostra que o ser
humano está bem distante de sua própria humanidade, já que essa infâmia se
tornou a onda e o mote nas vitrines dos Shoppings Centers de norte a sul dessa
grande colônia em que se transformou o mundo livre S/A. fato este que tristemente
nos remete aos tempos da inquisição, aonde o povo ia para as praças para
assistir aos suplícios públicos promovido pelos homens de bens. A única diferença é que hoje a tecnologia nos
permite assistir essas atrocidades, sentados no conforto do lar, bebericando e
saboreando um prato gourmet.
É
lamentável notar que, não há diferença entre o expectador presente nas praças públicas
nas trevas da idade média, e aquele que hoje se refastela na pseudo privacidade
do conforto de um lar; já que ambos, o sofrimento alheio vêm para assistir e
degustar, a fim de simplesmente ter um assunto qualquer, para com seu vizinho
poder conversar e sentir-se como um euro cidadão civilizado, se encontrando desse
modo, “atualizado”.
Portanto, é
comum observar as donas de casa a comentar e compartilhar as últimas promoções
do mercado; difícil é observar o compartilhar de abraços não julgados. Por isso, o Black Friday continua sendo o
sucesso absoluto dos últimos 500 anos de Brazill. Para tanto, foi simplesmente só
esconder a palavra “crime” e “escravidão”. Ou seja, o que os olhos não veem o coração não sente
em meio a esse ensaio para a cegueira[1] onde
a humanidade se tornou uma eterna estagiária de orientadores umbrálicos do Orco.

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