As Eleições 2018 e a Perpetuação da Escravização dos descendentes dos Povos Africanos escravizados no Brasil

São gritantes as características da População leucodérmica como xenófoba e as do Povo melanodérmico como xenófilo. Com essas características marcantes, ambos os grupos trazem fatos impressos em sua linha histórica do tempo, que consagraram sua ascensão e queda, com muitas glórias e desgraças que determinaram seu céu e seu inferno, ao fabricar com tais linhas, manufaturando nas entrelinhas, seus próprios deuses e demônios, com os quais teceram as indumentárias que hoje trajam para realizar o show nesse grande palco que é a vida.

Enquanto um abre os braços recebendo o outro num fraterno abraço, o outro perversamente o esfaqueia de diferentes formas e maneiras premeditadas, durante o espetáculo desse jogo de vida e de morte entre a Senzala e a Casagrande.

Não é sem motivos que na maquiavélica e consagrada expressão até tu Brutus poderia resumir com espantosa exatidão a política dessa relação diplomática do europoide, até mesmo para com seu próprio grupo e cúmplices. Essa política de Estado xenofóbico se mostra tão conveniente e fácil que até mesmo uma considerável proporção do Povo melanodérmico a tem adotado como forma de se aproximar do poder, mesmo que de forma satélite. Dessa forma, o famoso Abraço Negro tem se tornado um raro espaço de relação até mesmo entre nosso próprio Povo Preto.

Desse modo, a Senzala tem resistido em se transformar em Quilombo, em consequência da xenofobia disseminada entre os elos das correntes mentais que apertam o coração Preto em seu peito, fazendo dele seu próprio inimigo, quando rechaça seus iguais, abraçando seus adversários leucodérmicos num átimo anterior a inevitável facada nas costas, como naquele famoso abraço da serpente atacando sua presa, assim que ele, o ser negro, tenta sentar-se a destra do império que contra-ataca com o sorriso da hiena estampado no diplomático rosto de amigo da onça.

Abraçar o novo que adentra a senzala, e em contrapartida fornicar os que residem no mocambo, tem sido uma prática controversa e avassaladora nas tramas tecida nas entrelinhas do tempo histórico contemporâneo melanodérmico. Esse modelo político, assinado por famosos designe como Willian Lynch, Rei Leopoldo II, Césari Lombroso, dentre outros, tem dado o tom nessa passarela que exibe a estética de sofrimentos e sentimentos controversos, no eterno desfile dessa cultura monorracial que fora cooptada e resignificada, sem jamais ser recontextualizada.

Portanto, retomar o fio da meada dessa história cortada e recortada, para dar sentido ao atual tecido social, faz-se necessário e urgente uma intervenção legitima nesse Estado terrorista que a senzala testifica, como uma das alternativas possíveis de fazer a vida voltar a fluir com a dignidade devida a quaisquer seres humanos que se destaque por sua humanidade e não pelo abraço do amigo urso, com sorriso hiena e lágrimas de crocodilo que antecede o bote da cobra coral cuja face sempre aparece estampadas, veiculados pelos meios de comunicação; principalmente durante os processos de pleito eleitoral; gastando rios de dinheiro, para mostrar que isso é normal no ser político em estado in natural.

Assim se sustenta a supremacia branca originada de um punhado de europoides e mantida por asseclas e cúmplices melanodérmicos durante tais pleitos que tem servido para que o mercado infame tenha sua continuidade, uma vez travestido com tais sorrisos que escondem o carrasco portador do chicote contemporâneo do corpo e do espírito. O sorriso do carrasco que se diverte, e sente um inenarrável prazer com o sangue vermelho que esguicha sobre a pele preta, se tornou um fetiche europoide e uma patológica atração no espetáculo do pão e circo das raças que se entrelaçam nessa orgia de políticos com a política que rege a xenofilia e xenofobia.

Enquanto esse abraço branco se resumir a política dos tapinhas nas costas como preliminares do pré coito eleitoral, essa orgia dos poderes continuará a manter o palácio presidencial como casa de tolerância no sentido próprio da palavra; e como diria o pensador, os fudidos estão a solta; e eles têm cor, RG e CPF; são seres satélites e periféricos, sem autoconsciência de si nesse nefasto processo comandado pelo infame europoide. Participar desse processo é uma escolha individual, da mesma forma que muda-lo deve ser uma decisão coletiva. E isso só pode ser possível com um grande abraço coletivo na fraternidade preta que exclui a xenofobia leucodérmica entre seus iguais.

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