Para falar do Projeto Político Do Povo Brasileiro
é necessário falar sobre os Conceitos de Etnias, de Nações e de Povo, que
compõem o Estado nacional. Primeiramente é preciso explicitar que o conceito de
Estado é uma criação eurocêntrica,
visto que essa concepção inexistiu nos povos originários e autóctones, pois
esses mesmos povos tinham a concepção de que a natureza e tudo que nela existe;
água, terras, ar, etc. é um bem comum, um bem básico encarado como um direito humano.
Os Europoides, após se apropriarem do saber e da tecnologia africana, programaram a individualidade, através do conceito da meritocracia, fundamentada pela hierarquia impetrada pela ideia falaciosa de neutralidade, fragmentando desse modo, o homem, separando-o da natureza, com o discurso e intuito de dominar para controlar essa mesma natureza humana.
Os Europoides foram civilizados pelos africanos; podemos citar como exemplo mais recente o caso espanhol, que foram civilizados pelos Mouros e que após serem seus servos (escravos) por longos períodos, se apropriaram do saber melanodérmicos para implantar o vírus do individualismo no homem e, juntamente com os portugueses e todos os europoides, inauguraram a indústria do sequestro de seres humanos, e na sequência, indizíveis torturas, trazendo a dor para o processo da morte; surpreendendo os povos melanodérmicos com uma violência inaudita e inédita, instaurando assim, o sistema de colonização que fundou a modernidade, impondo um padrão de poder eurocêntrico de governo no mundo.
O exemplo da Espanha, país hoje aonde existem diversas etnias como a dos Bascos, Catalães, andaluz, ciganos, etc. com suas inúmeras etnias que integram a nação formadora do Estado; é de bom alvitre, para ilustrar como exemplo como o Estado e formado por nações. Ou seja, todos são espanhóis, visto que a nacionalidade e conferida pelo Estado. Ou seja, o Estado surge do Povo que, por sua vez, é formado pelas nações.
A nação é formada por etnias que compartilham a mesma cultura, idioma e território, como é o caso das 11 etnias que compartilham o Estado na África do Sul, com suas culturas, idiomas e territórios. No caso brasileiro, aonde também existem diversas etnias; é o caso dos nisseis e judeus brasileiros; e outras nacionalidades, como no caso de italianos, espanhóis, japoneses, alemães, etc. além do povo indígena e do povo negro, observamos que os indígenas são etnias que possuem idiomas, culturas e territórios e que forma um povo, mas que não são considerados pelo Estado como povo e por isso mesmo, juridicamente são tutelados por esse mesmo Estado.
Os únicos que tem a nacionalidade conferida pelo Estado são os Negros que foram titulados como Afro-brasileiros; nesse caso, juridicamente é o único povo existente no Brasil, visto que a República não teve êxito em fazer da nação brasileira uma nação branca como previa o processo eugênico contrariando as expectativas de Charles Darwin.
Sendo assim, o desejado projeto de nação europoide, hoje naufraga num redundante fracasso, adernando a deriva numa desordem provocada por sua própria ordem nesse processo onde a cobra devora a sim mesma. Portanto, virá do único povo existente no Brasil neste momento, o projeto de nação que finalmente formará o povo brasileiro, fundando dessa maneira, um Estado legítimo e legal, transformando nosso território num país de fato, deixando assim de ser uma colônia europoide que sobrevive de sucessivos golpes.
Nesse caso, o Povo Negro deve se articular, mobilizando-se para protagonizar esse processo tão esperado por todos aqueles que habitam neste país fragmentado por um Estado unívoco, monorracial e monocultural. Portanto, através do processo iniciado pela Campanha da Reparação para os Descendentes dos Povos africanos escravizados no Brasil, damos inicio ao Projeto de Nação para o Brasil trazendo a proposta de um Estado compartilhado e pluriversal.
Hoje, a Campanha tem sua sede no INSTITUTO PALMARES DE DIREITOS HUMANOS (IPDH), na Av. Mem de Sá, 39, Lapa, Rio de Janeiro, Brasil. As negras e negros, além de todos aqueles que prezam pela equidade e pela justiça, tem a obrigação moral de participarem desse processo que tirará nosso país do atoleiro e dessa funesta distopia.
Reparação já, para que não sejamos mais um estado de Israel
que expulsa o povo de um país para poder chamar de seu e num Estado de puro
egocentrismo europoide, franqueia e legaliza para si mesmo, todos os crimes e
monstruosidades que desumaniza o outro desumanizando a si mesmo. Que o
holocausto do Povo Negro tenha seu fim e que a sociedade não se cale diante da
legalização de um crime que é coisa de branco, sendo corresponsáveis pelo mesmo.

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