A postura mental do povo preto é manipulada e controlada por uma
elite arrogante e indolente, produtora e reprodutora de imbecilidades e de
imbecis em todos os níveis da vida do cidadão. Ou melhor, pseudo cidadão.
Portanto, o indivíduo se imaginando
cidadão, deixou de ser sujeito, sendo objeto e refém da conjuntura gerada e gerida
pela oligarquia que muda constantemente sua autoclassificação, a fim de se
camuflar na linha da história que, assim como o indivíduo, essa história também
é um produto que reproduz a si mesmo
a partir de sua assimilação dessa narrativa manipulada pela pérfida plutocracia.
Os filhos de Birkinesh[1], hoje
se dedicam a escolher entre o que é fácil e o que é certo, para poder
permanecer em sua zona de conforto. Zona esta estabelecida quando a população
leucodérmica os convenceu a viver de juros em vez do trabalho produzido junto à
natureza.
Separados da natureza pelo discurso
brancopofágico do “penso logo existo” positivista, em detrimento do “conhece-te
a ti mesmo” escrito nos portais egípcios, esse povo conheceu e passou a
conviver com o medo do desconhecido;
medo que os tornaram peças num tabuleiro de um jogo de xadrez entre a
obediência a hierarquia e o caminho
da liberdade, tendo como resultado,
a confecção e produção de uma narrativa leucodérmica; narrativa esta que se
tornou uma poderosa arma de dominação e coerção de mentes e corações.
Dessa maneira, a evolução do ser
humano como homo sapiens, foi
interrompida pela híbrida população melanodérmica quando silenciaram a história
da África, sufocando sua voz e silenciando sua historiologia. Hoje a pessoa de cor reproduz a fala da pessoa
branca como se fosse a sua própria fala, pensa como pensa uma pessoa branca e
olha através dos olhos da pessoa branca.
Portanto, hoje tudo o que mais
agrada a uma pessoa de cor é poder ouvir a sua própria opinião saindo da boca
do irmão; tudo mais que venha a contradizer o que ele assimilou e internalizou
academicamente como verdade, é motivo de discórdia e belicosos conflitos. A
falta de discernimento entre duas Pessoas de cor frente a uma Dear White People pode ser detectada
justamente através dessa postura discrepante. Certamente um deles vai preferir
defender aguerridamente o senso comum
assimilado como aceitável, do que pensar a respeito do questionamento
apresentado, ou de qualquer problematização do contexto conjuntural étnico.
Portanto, o mais difícil a ser
trabalhado no processo decolonial, é a narrativa bíblica leucodérmica da
criação do próprio ser como sujeito histórico. Sendo assim, a escravidão criada
e narrada biblicamente se encontra no cerne do ser; e isto se tornou o
principal obstáculo de libertação do indivíduo que se transformou num escravo voluntário
solícito e defensor de seu opressor.
Desse modo, vivemos uma escravidão
em sua forma pérfida mais que perfeita, onde em vez de chicotes e pelourinhos,
são usados produtos estéticos, farmacêuticos, médicos, biológicos, midiáticos,
educativos, psicológicos, entretenimentos, etc. que funcionam como adornos legitimadores
desse crime infame, que a exemplo do período da escravidão colonial de outrora,
hoje também se tornou um crime legal, uma vez que é um dolo onde não existe a
figura do criminoso. Ou seja, a política Estatal dá prosseguimento a esse crime continuado, uma vez modernizado
pelos poderes legislativo, judiciário, executivo, militar e midiático.
Desse modo, só a emancipação
mental da pessoa de cor possibilitaria a abolição real dessa
escravatura mimética que impede sua real libertação como a qualquer descendente
dos povos originários escravizados, colocando um termo na herança maldita
profetizada pelo homem branco quando grafada num livro que os mesmos afirmam
ser obra de Deus: o “Deus ocidental”
padronizado e patenteado pela narrativa monorracial dominante.
[1]
“você é uma pessoa de valor” nome aramaico dado pelos etíopes ao esqueleto mais
antigo encontrado no mundo até então.

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